A indústria da construção civil passou por uma transformação radical na última década. O que antes era um material cercado de controvérsias e riscos à saúde — o amianto — deu lugar a uma nova geração de produtos. O fibrocimento sem amianto não é apenas uma alternativa de segurança; ele representa um avanço em engenharia de materiais, sustentabilidade e eficiência técnica.
Até 2017, o Brasil era um dos maiores produtores mundiais de amianto crisotila. A virada definitiva ocorreu com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que baniu a extração, comercialização e uso do mineral em todo o país devido aos danos comprovados à saúde (como a asbestose e o câncer de pulmão).
Esse cenário obrigou a indústria a acelerar a tecnologia CRFS (Cimento Reforçado com Fios Sintéticos). O desafio era criar um produto que mantivesse o baixo custo e a durabilidade, mas com total segurança para operários e moradores.
O avanço do fibrocimento moderno reside na substituição das fibras minerais por um “blend” de alta performance:
Fibras de PVA (Poliacetato de Vinila): Fios sintéticos de alta resistência que conferem ao cimento a capacidade de suportar tração e impactos sem quebrar.
Fibras de Celulose: Utilizadas para garantir a homogeneidade da massa e facilitar o processo de cura do cimento.
Aditivos Químicos: Melhoram a impermeabilidade e a resistência térmica, superando o desempenho das telhas antigas.
Destaque Técnico: Diferente do amianto, que é rígido e quebradiço, o fibrocimento com PVA possui maior tenacidade, o que significa que ele absorve melhor a energia de impactos (como granizo) sem sofrer fissuras imediatas.

O avanço não foi apenas químico, mas ambiental. As fábricas modernas operam em circuitos fechados de água e utilizam celulose de reflorestamento. Além disso, o descarte do fibrocimento sem amianto é classificado como Resíduo Classe II (não perigoso), o que reduz drasticamente os custos e os impactos ambientais no final do ciclo de vida da edificação.
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